domingo, 18 de junho de 2017

Nome, sobrenome e sangue


O amigo da adolescência
Que viajava comigo
Sexta, sábado e domingo
Agora é um fascista exemplar

Naturalmente não sou mais
O mesmo de anos atrás
Mas mantenho nome, sobrenome e sangue
E também não participo
Deste cinismo estabelecido
Pelos membros da gangue

O graduando de Letras
Que escrevia poesias
Hoje em dia
É policial militar.



sábado, 17 de junho de 2017

A fragrância

A fragrância
Que se chama
Lembranças
Da infância
Aconselha que nenhuma criança
Fique ao seu alcance
Até porque não há chance
A qualquer infante
De recordar que está neste instante
O presente arde em chamas
O cheiro de queimado é constante
Vence o do desodorante.



sábado, 3 de junho de 2017

Os fantasmas

Os fantasmas do passado
Andam lado a lado
Com os do presente
Não mais me assusto
Com seus olhares soturnos
Contudo, não fico indiferente
Ao nos sentarmos juntos
À fogueira de junho
Pensando num futuro referente
Aos desejos realizados
Aos medos afugentados
Pela mudança da lente.





sexta-feira, 2 de junho de 2017

Nenhum direito a menos às vidraças

Nenhum direito a menos às vidraças
Vândalos são os que depredam os nossos direitos
Com o futuro embaçado,
As vidraças estão aos pedaços
O povo está vidrado
Nas Diretas Já
Cada pessoa é uma substância inorgânica, homogênea e amorfa, obtida
Através do resfriamento de uma massa líquida
À base de sílica
A dignidade do povo é o patrimônio
Mais alvejado pelos vândalos.
Quedê a comissão dos direitos
Das vidraças?
As vidraças respiram por ajuda de aparelhos.
As vidraças feridas aguardam
Doações de sangue.
Sem salários há tempos,
As vidraças avisam que estão quebradas.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Cubismo não vem de Cuba

"Que Picasso te pinte!"
Em Paris
Era uma das ofensas mais hostis
No início do século vinte.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Da cidade dos escombros

Blue Monday rasgando
A quarta cinza
No quarto branco
Cavalos à vista
Sem desconto
Da ficção cientifica
Da cidade dos escombros
Na vizinha piscina
Tentei nadar preso a um cinto
No primeiro minuto bebi água
Mesmo controlando o respiro
Eu me senti um rato, uma cobaia
O piso não se movia
Não saía do lugar
Seja bem-vinda a fobia
Mais nova ao meu lar.

domingo, 7 de maio de 2017

Como se fossem


É preciso pagar
As dívidas
Aos credores
Como se fossem inquilinos
Do próprio lar

É necessário carregar
As dúvidas
As dores
Como se fossem aplicativos
Do celular.